quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

ABIU (Lucuma caimito)

ABIU (Lucuma caimito)

1 ABIU (Lucuma caimito)
Família: Sapotáceas.
Sinonímia: Abieiro.
Outro idioma: Carmrto (Peru).
Características: Árvore.
Fruto ovóide, da grossura de um ovo de galinha, ou esférico como uma laranja, de pele lisa, amarela.
Por incisão, o tronco fornece um látex que contém guta-percha.
Valor terapêutico: Usam-se os frutos, que são doces e gomosos, nas afecções pulmonares.

ABOBOREIRA-DO-MATO (Melothria fluminensis, Druparia racemosa)

2 ABOBOREIRA-DO-MATO (Melothria fluminensis, Druparia racemosa)
Família: Cucurbitáceas.
Sinonímia: Guardião.
Características: Planta trepadeira.
Flores amarelas.
Baga alongada. Há várias outras cucurbitáceas conhecidas pelo mesmo nome de aboboreira do mato.
Valor terapêutico: As folhas e flores são usadas nos casos de afecções uterinas, desarranjos menstruais, leucorréia.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Classificação dos Vegetais

Classificação dos Vegetais

CLASSIFICAÇÃO DOS VEGETAIS
Ao conjunto das plantas de uma determinada região dá-se o nome de flora, e a ciência que estuda os vegetais ê a Botânica.
Há no mundo muitos milhares de plantas distintas, e precisamos classificá-las; do contrário, não poderemos reconhecer cada uma delas, dentro do tão grande número que existe.
Daí a necessidade de classificação.
Para entendermos melhor em que consiste o ato de classificar, suponhamos que alguém que esteja no exterior, queira enviar uma carta a um parente radicado em qualquer parte deste vasto país.
Faz, pois, indicações do mais geral para o mais particular: a nação (Brasil), o estado (S. Paulo), a cidade (Santos), o bairro (Ponta da Praia), a rua (???), o número do prédio, o número do apartamento, o código postal, o nome do indivíduo.
No reino vegetal, também recorremos a um processo de particula-rização crescente, classificando as plantas em grupos cada vez mais restritos.
Assim, o reino vegetal se subdivide em ramos, estes em classes, estas em ordens, estas em famílias, estas em gêneros, estes em espécies.
Quando caminhamos da espécie para o reino, vamos generalizando cada vez mais; e quando, ao contrário, caminhamos do reino para a espécie, vamos particularizando cada vez mais.
As diferentes espécies de plantas atualmente conhecidas, são estimadas em cerca de 350000.
Distribuem-se os vegetais, inicialmente, em dois grandes ramos:
1. Fanerógamos ou espermatófitos
2. Criptógamos
Cada um desses ramos se subdivide em classes:
1. FANERÓGAMOS Têm raiz, caule, folha e flor.
Distin-guem-se as classes: angiospermos e gimnospermos.
a.
Angiospermos Possuem os óvulos fechados num ovário encimado por pistilo, apresentando, pois, sementes no interior do fruto.
Distinguem-se as ordens: monocotiledôneos e dicotiledôneos.
Monocotiledôneos Têm um só cotilédone.
Distinguem-se as famílias: liliáceas, gramíneas, palmáceas.
Dicotiledôneos Têm dois cotilêdones.
Distinguem-se as sub-ordens: dicotiledôneos dialipétalos, dicotiledôneos gamopétalos, dicotiledôneos apétalos.
Dicotiledôneos dialipétalos: Têm corola de pétalas livres umas das outras.
Distinguem-se as famílias: ranunculáçeas, rosáceas, legumino-sas, cariofiláceas, crucíferas.
Dicotiledôneos gamopétalos: Têm corola cujas pétalas são soldadas umas às outras.
Distinguem-se as famílias: solanáceas, labiadas, compostas.
Dicotiledôneos apétalos: Não têm corola distinta.
Distinguem-se as famílias: amentáceas, quenopodiáceas, urticáceas.
b.
Gimnospermos Flores unissexuadas.
Carpelos em que não se diferenciam estigma, estilete, ovário.
As folhas carpelares são abertas, de modo que não se formam frutós verdadeiros. Óvulo ortó-tropo e recoberto de um só tegumento.
Distinguem-se as famílias: gnetáceas (carpelo envolvendo o óvulo), cicadáceas (flores isoladas, não acompanhadas de brácteas, eixo vegetativo não ramificado), coníferas.
Esta última é a mais importante.

2. CRIPTÓGAMOS Podem ter raiz, caule e folha, mas não se reproduzem por meio de flores, das quais são desprovidos. O aparelho reprodutor acha-se, por assim dizer, disfarçado, daí o serem essas plantas chamadas criptógamos, por alusão à sua "reprodução oculta". Os criptógamos vasculares, denominados pteridófitos, compreendem as classes: filicíneas, eqüissetíneas, licopodíneas; os criptógamos celulares constituídos de caule e folhas rudimentares chamam-se briófitos ou muscíneas (umas 25000 espécies) e se distribuem em duas classes: musgos e hepáticas; os criptógamos celulares simplesmente formados por um talo, e por isso conhecidos como talófitos, compreendem as classes: fungos ou cogumelos (95000 espécies), algas (20000 espécies), líquens, bactérias.
Os pteridófitos, dos quais há umas 10000 espécies, têm gerações sexuada e assexuada alternantes.
São, todavia, dotados de caules, raízes e folhas verdadeiros.
Modernamente são reunidos aos angiosper-mos e gimnospermos, formando a divisão dos traqueófitos.
a.
Filicíneas, filicales ou fetos Caracterizam-se pela presença de folhas bem desenvolvidas, nas quais estão os esporângios, órgãos onde se formam os espórios, que são as células reprodutoras. O caule apresenta ramificação lateral.
Compreendem as samambaias e avenças.
b.
Eqüissetíneas Recebem o nome popular de cavalinhas. São plantas isosporadas, de pequeno porte, da grossura de um polegar e de alguns decímetros de altura, podendo às vezes atingir mais de um metro. São formadas por rizomas subterrâneos que emitem brotos aéreos, articulados em nós sólidos e internódios ocos.
Os nós sólidos estão encaixados na extremidade superior do tubo formado pelo inter-nódio oco.
Em redor de cada nó existe um verticilo de folhas alternas (pequenas escamas triangulares), de cujas axilas nascem ramificações de construção semelhante ao do broto principal.
c.
Licopodíneas São plantas pequenas, de folhas miúdas (mi-crofilas). São isosporadas, dotadas de um esporângio na axila de cada folha.
Representadas por duas famílias: licopodiáceas e selaginelá-ceas.
Os briófitos são dotados de caule e folha, mas não têm raiz ou flor.
Na extremidade do caule se encontram os órgãos sexuais masculinos e femininos, rodeados de pequeninas folhas.
Da fecundação da oosfera resulta o ovo que se desenvolve dando origem ao esporogô-nio, em cuja cápsula se formam os esporos.
Graças à ruptura da cápsula, os esporos se libertam, e, no solo, germinam, dando origem a um protonema (filamento verde, ramificado), no qual se formam vários brotos que se desenvolvem em novos briófitos.
Distinguem-se as classes: musgos e hepáticas.
d.
Musgos São plantinhas verdes, modestas, compostas duma espécie de caule primitivo rodeado de folhas primitivas e preso ao solo por meio de rizóides.
Constituem o limo dos lugares úmidos e sombrios.
e.
Hepáticas Têm forma dum talo achatado, verde, com ramificação dicotômica, e são presos ao substrato por meio de filamentos aclorofilados, denominados rizóides.
Algumas espécies possuem caules (caulóides) e folhas (filóides) muito primitivas.
Vivem na superfície da água ou nos lugares úmidos, na terra, em pedras, nas árvores e nos pastos, escondidos entre as gramíneas.
Os talófitos são vegetais de organização mais simples possível, formados de um tecido homogêneo, que é o talo.
São desprovidos de vasos, raízes, caules, flores e folhas.
Calcula-se em mais de 300000 as espécies de talófitos existentes, distribuídos nas classes: fungos, algas e líquenes.
Alguns autores incluem também as bactérias entre os talófitos.
f.
Fungos Não têm clorofila.
g.
Algas Possuem clorofila distribuída por toda a planta.
h. Líquenes São constituídos pela união simbiótica de uma alga com um fungo. A clorofila que possuem reparte-se entre filamentos articulados.
i.

Bactérias São desprovidas de clorofila.
Em geral, compõem-se apenas de citoplasma e membrana, não tendo núcleo distinto.
Seu tamanho varia entre 0,2 a 5 micra.
Reproduzem-se por cissi-paridade, isto é, mediante um estrangulamento cada vez mais acentuado, que aparece no centro da célula, terminando por dividi-la em duas partes iguais.
Distinguem-se os seguintes tipos de bactérias: parasitas ou patogênicas, saprófitas e zimogênicas.
Bactérias patogênicas São causadoras de doenças.
Distinguem-se os cocos (monococos, diplococos, estreptococos, estafiloco-cos, sárcinas), bacilos, víbrios, espirilos.
Bactérias saprófitas Atuam sobre substâncias em decomposição, transformando-as em sais minerais.
Bactérias zimogênicas Produzem fermentação.










segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Aplicação Das Plantas na Medicina Sucos

A Aplicação Das Plantas na Medicina Sucos

2. Sucos
Se os chás são benéficos, muito mais o são os sucos crus das ervas.
Infelizmente, nem sempre podemos obtê-las frescas. A estação do ano ou o lugar em que moramos muitas vezes só nos permitem obter inúmeras delas em estado seco, da provisão que temos em casa ou da ervanaria.
Mas, sempre que possível, devemos usá-las frescas.
O suco se obtém facilmente triturando as ervas com um pilão ou moendo-as na máquina de moer carne.
Passam-se, em seguida, por um coador.
A dosagem normal para os sucos é a seguinte:
Adultos: cinco gotas de suco em uma colher com água, de duas em duas horas; 10 a 15 anos: três gotas; infantes de 5 a 10 anos: duas .
gotas; crianças de 2 a 5 anos: uma gota; crianças de 1 a 2 anos: pinga-se uma gota de suco numa colher com água e dá-se só meia colher; crianças de seis meses a um ano: um quarto de colher.
Com a diminuição da idade, dimiwui-se a quantidade de suco, mas o intervalo no tomar o remédio convém que seja sempre o mesmo: de duas em duas horas.
Para facilitar ao leitor que muitas vezes não terá conta-gotas à mão, acrecentamos que, numa colherinha das de café, cabem mais ou menos 25 gotas.
Os sucos se preparam no próprio momento em que se tomam; nunca se espremem com antecedência.
3. Saladas
Ótimo resultado dá também o uso de ervas curativas em forma de saladas cruas.
Para este fim, só servem os brotos e as folhas tenras.
Diversos tipos de ervas misturados dão ainda melhor resultado.
Certas ervas têm um gosto muito forte.
Umas são amargas; outras são picantes.
Neste caso põe-se mais de uma qualidade ou mais de outra qualidade, na mistura.
Faça cada qual suas próprias experiências neste sentido, para ver o que lhe vai melhor. A experiência adquirida é quase sempre o melhor mestre. "In medicina plus valet experimentia quam ratio", disse Boglive.
Mas, advertimos outra vez, deve-se tomar muito cuidado para não apanhar, por engano, ervas venenosas.
Também aqui a experiência é essencial.
Ótimas saladas cruas podem preparar-se com as seguintes ervas: dente-de-leão, língua-de-boi, Iíngua-de-vaca, tanchagem, borragem, beldroega, salva, mil-em-rama, hortelã, cominho e muitas outras, apresentadas neste livro.
4. Sopas, guisados, etc.
Muitas ervas silvestres podem ser também preparadas em forma de sopas, ensopados, guisados, omeletes, virados, etc.
As refeições de ervas silvestres, além de salutares e nutritivas, têm a vantagem de ser baratas.
Nestes preparos, podem usar-se as mesmas ervas indicadas para "saladas", e muitas outras, segundo recomendar a experiência.
5. Xaropes
Muitas plantas conhecidas pelos seus efeitos peitorais, e usadas contra a tosse, a bronquite, e outras afecções das vias respiratórias, podem entrar no preparo de xaropes, que são medicamentos líquidos, viscosos, os quais se obtêm misturando certos sucos, decoctos ou macerados, meio a meio, com mel.
Prepara-se quente ou frio e toma-se às colheradas.
6. Banhos
As ervas também se prestam, com bons resultados, para uso externo, em forma de banhos de tronco, de assento, pedilúvios, etc.
O uso interno, em muitos casos, é grandemente ajudado quando acompanhado pelo uso externo.
Freqüentemente, o que um ataque simples não consegue, consegue-o um ataque duplo interno e externo contra a causa do mal.
Desta maneira se pode obter uma expulsão mais rápida e eficaz das substâncias venenosas, e conseqüentemente se apressa a cura.
A dosagem normal é de 500 a 1000 gramas de ervas para um balde d'água (30 a 60 gramas para um litro de água).
Cozem-se as ervas durante 20 a 40 minutos, coam-se e deita-se o decocto na água que vai ser usada para o banho.
É muito bom acrescentar plantas medicinais folhas de eucalipto, cavalinha, etc.
à água do banho de vapor, para tratar inúmeras enfermidades.
7. Cataplasmas
As cataplasmas se empregam de vários modos, a saber:
a. Ervas frescas, ao natural, podem aplicar-se diretamente à parte dolorida, inchada ou ferida.




b. Ervas secas em saquinhos, frias ou quentes, conforme o caso, usam-se para cãibras, nevralgias, dor de ouvido, etc.
c. Em forma de pasta.
Socam-se as plantas, formando uma papa que se coloca sobre o lugar dolorido, diretamente ou entre dois panos.
Quando não se tem ervas frescas para este fim, podem-se usar também ervas secas.
Neste caso se deita água fervendo em cima das ervas, numa vasilha, tanta quanta necessária for para formar uma pasta.
As cataplasmas têm efeito calmante sobre os inchaços, nevralgias, contusões, reumatismo, gota, furúnculos, supurações, etc.
No preparo das mesmas, não se devem usar colheres de metal, especialmente as de alpaca, mas sim de madeira, pois as primeiras poderiam provocar envenenamento se permanecessem durante muito tempo na massa.
d. Compressas.
Usam-se, para este fim, panos bem limpos, brancos, finos.
Cozinham-se as ervas em dose forte isto é, usa-se, para um litro de água, duas, três ou quatro vezes mais ervas que para um chá. Coa-se.
No cozimento mergulha-se o pano, torce-se bem e aplica-se sobre a parte dolorida.

8. Gargarejos
Prepara-se um chá por decocção de ervas medicinais. E, várias vezes por dia, preferivelmente de manhã, ao levantar-se, e de noite, antes de se deitar, enxàgua-se bem a garganta, gargarejando.

9. Inalações
Põem-se ervas medicinais em água, numa vasilha, a ferver.
Ao levantar fervura, aproveita-se o vapor, aspirando-o por meio de um funil de cartolina, previamente improvisado.
Quem quiser, poderá também fazer um funil próprio, duradouro, de folhas de zinco.
O cuidado que aqui se deve ter é o de não escaldar, porque o bafo da fervura é muito quente.

10. Lavagens
Prepara-se um chá de ervas medicinais.
Coa-se muito bem.
In-troduz-se então por via anal, vaginal ou uretral, conforme o caso, usando-se para este fim um irrigador com bico próprio ou uma seringa.
De preferência, deve-se injetar o líquido logo depois de o paciente ter evacuado ou urinado.
Para facilitar a retenção, por algum tempo, do líquido introduzido, enfaixa-se, apertando bem, as nádegas do paciente.
O que ainda ajuda a retenção é o paciente deitar-se de bruços se o líquido for injetado por via anal; e de costas se por outra via.
Para os enfermos que não podem locomover-se para o banheiro, deve-se ter, à mão, um recipiente como seja uma aparadeira (comadre) para receber o líquido em devolução, ao ser expelido.
Para adultos, a quantidade de líquido para uma lavagem intestinal é de dois litros.

11. Ungüentos
Podem também preparar-se ungüentos com certas plantas curativas.
Tomam-se diversas ervas frescas, como sejam: tanchagem, arnica, calêndula,
hipericão, bardana, etc., e trituram-se, misturadas, com um pilão,
ou passam-se pela máquina de moer carne.
O suco que se obtém, mistura-se à gordura vegetal, de coco ou amendoim,
ou à manteiga fresca.
Aquece-sé sobre o fogo até derreter. A isto pode-se ácréscentar um poúcó de
cera de àbelha, para formar ungüento mais espesso.

12. Azeites
Ao azeite também se podem misturar folhas, sementes e flores de ervas medicinais por exemplo: de camomila, hipericão, alfaze-má |Hpara se obter um bom ólefr curativo.
Tapa-se bem a garrafa que contenha a mistura e expõe-se diariamente ao sol, durante uns 15 dias.
Goa-se depois. O óleo assim preparado serve para diversos fins dé cura, internos e externos.


domingo, 28 de dezembro de 2014

A Aplicação Das Plantas na Medicina Chás

A Aplicação Das Plantas na Medicina Chás

As ervas curativas podem ser aplicadas de diversas maneiras, e é muito importante que toda pessoa que pretenda adotar este sistema de cura conheça bem seus vários modos de aplicação.
Citamos os seguintes:
1. Chás
De várias maneiras se prepara um chá, a saber:
a.
Como tisana Põe-se água numa panela e, quando estiver fervendo, acrescentam-se as ervas.
Tapa-se de novo.
Deixa-se ferver mais uns cinco minutos, e tira-se do fogo.
Deixa-se repousar alguns minutos, bem tapado, coa-se e pronta está a tisana.
b.
Em infusão Esta forma consiste em despejar água fervendo sobre as ervas, numa vasilha, e deixá-las repousar assim, bem tapadas, durante uns 10 minutos.
Para este preparo são mais apropriadas as folhas e flores.
Os talos e raízes também podem preparar-se por infusão, mas devem ser picados bem fino e ficar em repouso durante uns vinte ou trinta minutos, depois de se deitar água fervendo em cima.
c.
Em decocção Deitam-se as plantas numa vasilha e verte-se água fria em cima. A duração do cozimento pode variar entre 5 a 30 minutos.
Flores, folhas e partes tenras basta cozer 5 a 10 minutos.
Partes duras, como sejam: raízes, cascas, talos, picam-se em pedacinhos e cozinham-se 15 a 30 minutos.
Tira-se a vasilha do fogo e conserva-se tapada durante alguns minutos mais; depois coa-se.
Esta forma é mais recomendável para as cascas, raízes e talos.
d.
Em maceração Põem-se de molho as ervas em água fria, durante 10 a 24 horas, segundo o que se queira empregar.
Folhas, flores, sementes e partes tenras ficam 10 a 12 horas.
Talos, cascas e raízes brandos, picados, 16 a 18 horas.
Talos, cascas e raízes duros, picados, 22 a 24 horas.
Coa-se. O método da maceração oferece a vantagem de que os sais minerais e as vitaminas das ervas são aproveitados.
Não só para fins medicinais se usam os chás, senão também como bebida, quente ou fria, em substituição ao chá preto e ao chá mate, que são prejudiciais.
Como as raízes, talos e cascas requerem, para cozinhar, mais tempo que as flores, folhas e partes tenras, recomendamos que estas sejam guardadas em separado daqueles.
Pelo mesmo motivo, o preparo do chá também deve ser feito em separado, isto é, flores e tolhas não se cozinham juntamente com talos, raízes e cascas, assim como não se cozinha o arroz junto com o feijão.
Normalmente, salvo casos especiais, a dose diária para os cnás é: 20 gramas de ervas para um litro de água, ou seja, uma colher (de sopa) de erva para cada xícara de chá. Tomam-se quatro ou cinco xícaras por dia.
Esta quantidade é para os adultos.
Para jovens de 10 a 15 anos, três a quatro xícaras; crianças de 5 a 10 anos, duas a três xícaras; crianças de 2 a
5 anos, uma a duas xícaras; crianças de 1 a 2 anos, meia xícara a uma xícara; para criancinhas mais novas, diminui-se ainda mais a quantidade.
As indicações que acabamos de fazer, valem para as folhas frescas.
As secas são bem mais leves, pelo que a dose deve ser reduzida para a metade.
Assim, por exemplo, em vez de se empregarem 20 gramas de folhas verdes, empregam-se 10 gramas de folhas secas.
E como irá o leitor, não tendo balança própria, arranjar-se com estes pesos 5, 10, 15, 20 gramas, etc.? É muito fácil.
Usará apenas uma colher das de sopa.
Uma colherada de folhas verdes pesa 5 gramas aproximadamente;
Uma colherada de folhas secas pesa 2 gramas aproximadamente.
Boa praxe é começar com uma quantidade menor e aumentá-la, aos poucos, dia a dia.
Fazemos esta indicação para que as pessoas inexperientes no tratamento com ervas, e acostumadas a observar doseamentos exatos para remédios farmacêuticos, tenham alguma orientação.
Em geral, todavia, em se tratando de plantas, a dose não necessita ser muito exata.
As ervas medicinais não oferecem os perigos que espreitam nos produtos químicos.
Salvo casos excepcionais, a quantidade pode variar sem dano algum.
Ninguém morrerá envenenado se tomar algumas xícaras a mais ou a menos.
Para gargarejos, inalações, compressas e outros fins externos, usam-se naturalmente doses mais fortes.
Os chás de ervas devem ser tomados, preferivelmente, de manhã, em jejum, e à noite, antes de deitar-se.
Bom efeito têm também quando tomados aos poucos, a saber, um gole (ou uma colherada) de hora em hora.
Para preparar os chás nunca devem empregar-se utensílios de metal, senão de barro, louça ou esmaltados.
O mesmo vale também para o preparo de sucos de frutas ou verduras.
Por ser perigosa, nunca deve deixar-se uma colher de alpaca dentro do chá ou suco.
Não se devem adoçar os chás com açúcar, pois o melhor é tomá-los ao natural.
Quem, todavia, quiser adoçá-los, deve empregar mel, que é também um meio curativo.
O mel tem efeito medicinal.
Recomendamos, portanto, adoçar o chá com mel no tratamento da garganta e do peito, para combater os catarros. O mel é bom dissolvente nas obstruções várias. É também emoliente, laxativo, sudorífico, depurativo.
O açúcar, principalmente o quimicamente branqueado, não o recomendamos.
Sempre que possível, deve-se preferir o mel.
Para resfriados, catarros, afecções da garganta e do peito, obstruções e cãibras, e para dissolver mucosidades, bem como para esquentar o corpo e provocar a transpiração, tomam-se chás quentes.
Os chás de um dia para outro fermentam.
Deve-se, por isso, preparar diariamente a porção necessária para um dia.
Não se devem tomar chás ou outras bebidas quaisquer, nem água, juntamente com as refeições, senão uma hora antes ou duas horas depois, porque os líquidos tomados na refeição estorvam a digestão.
Não se deve tomar o mesmo chá por tempo muito prolongado.
De dez em dez dias. mais ou menos, é bom variar o tipo de chá, porque a mesma qualidade, depois de algum uso, tem seu efeito curativo diminuído.

A Aplicação Das Plantas na Medicina Doméstica

A Aplicação Das Plantas na Medicina Doméstica

A APLICAÇÃO DAS PLANTAS NA MEDICINA DOMÉSTICA

Os antigos egípcios, que se desenvolveram na arte de embalsamar os cadáveres para guardá-los da deterioração, experimentaram muitas plantas, cujo poder curativo descobriram ou confirmaram.
Nascia, assim, a fitoterapia.
Naqueles velhos tempos, as plantas eram muitas vezes escolhidas por seu cheiro, pois que se cria que certos aromas afugentavam os espíritos das enfermidades.
Essa crença continuou até à Idade Média, quando os médicos usavam, no nariz, um aparelho para perfumar o ar que respiravam.
Os egípcios, que então estavam relativamente adiantados também na arte de curar, usavam, além das plantas aromáticas, muitas outras, cujos efeitos bem conheciam, como seja a papoula (sonífera) a cila (cardíaca), a babosa e o óleo de rícino (catárticos), etc. O papiro descoberto por Ebers, em 1873, está repleto de receitas médicas em que entravam plantas em mistura com outras substâncias.
Em medicina, os velhos babilônios eram tão adiantados como os egípcios.
No código de Hamurabi, que viveu mais ou menos no tempo do patriarca Abraão, encontra-se uma importante regulamentação sobre o exercício da medicina e da prescrição de remédios. A lei previa rigorosa punição para quem exercesse impropriamente a profissão médica.
Havia até pena de morte para o médico que cometesse um erro grave ou não tratasse devidamente alguma pessoa de destaque na sociedade.
Como no Egito, também na Babilônia a medicina combinava o poder curativo (ou supostamente curativo) de certas substâncias com
passes de magia.
Dos espíritos invocados, um tinha, por exemplo, a missão de expulsar, ou ajudar a expulsar, o "verme que causava dor de dente".
Os assírios, que também eram adiantados em medicina, incluíam, no seu receituário, nada menos de 250 plantas terapêuticas, entre as quais o açafrão, a assa-fétida, o cardamomo, a papoula, o tremoço, etc.
Hipócrates (460-361 a.C.), da Grécia, que é considerado o pai da medicina, empregava centenas de drogas de origem vegetal.
Teofrasto (372-285 a. C.), em sua história das plantas, catalogou nada menos de 500 espécimens vegetais.
Crateus, que viveu no século I antes de Cristo, publicou a primeira obra de que se tem conhecimento na história o Rhizotomi-kon sobre plantas medicinais, com ilustrações.
Dioscórides, o fundador da "matéria médica", no século I da era cristã, publicou um livro em que fez uma lista de 600 plantas medicinais.
Plínio, o Velho, que também viveu no século I da nossa era, e cuja enciclopédia constava de 37 volumes, catalogou igualmente as espécies vegetais úteis à medicina.
Foi talvez em base da teoria Plínio segundo a qual havia para cada enfermidade uma planta específica que se desenvolveu a doutrina dos signos, cujos paladinos afirmavam que cada planta trazia em si mesma o sinal de sua utilidade na medicina.
Tratava-se apenas de saber interpretar corretamente os indícios existentes.
Da ciência fitoterápica dos gregos, romanos e outros povos, tomaram conhecimento os árabes.
Abd-Allah Ibn Al-Baitar, que viveu no século XIII, e que foi o maior especialista árabe no campo da botânica aplicada à medicina, viajou por muitos países em busca de dados que necessitava para seu livro.
Produziu uma obra muito valiosa, em que descreveu mais de 800 plantas.
A Botânica sempre andou de mãos dadas com a Medicina, numa união indissolúvel, e nunca poderíamos pensar em divorciar uma da outra.
Em todo o mundo se conhecem hoje inúmeros remédios vegetais de incalculável valor para a farmacopéia moderna.
Foram recentemente publicados diversos trabalhos que insistem numa investigação mais profunda das propriedades medicinais das
plantas, e o que é especialmente importante para nós é que a Flora Brasileira é focalizada nos estudos de âmbito internacional no terreno da fitoterapia.
A própria UNESCO tem estimujado programas mundiais de pesquisa nesse campo.
No que diz respeito, por exemplo, aos estudos sobre a terapêutica do câncer, lemos no "Estado" de 2/4/1967 que "mais de 1500 extratos de plantas foram estudados pelo Serviço Nacional Central de Quimioterapia do Câncer dos Estados Unidos", e que, até agora, "já se conhecem cerca de 750 espécies de plantas que apresentam atividades sobre o câncer experimental".
Fazemos votos para que, um dia, a rica flora nacional seja aproveitada, muito mais do que está sendo, para abençoar a humanidade.
O que os pais de família e as donas de casa devem saber
A terapêutica vegetal tem acusado crescente sucesso, pelo que não poucos médicos, desiludidos com a medicina oficial, alópata, usam as plantas com grande proveito na cura das moléstias.
As plantas, exceto as venenosas, só podem fazer bem.
Nutrem o corpo, purificam o sangue e preparam o organismo para resistir contra a doença.
Por isso, toda pessoa, especialmente os pais de família e as donas de casa, deviam entender do preparo e aplicação de remédios caseiros da rica e variada flora medicinal brasileira.
Para que as plantas medicinais nada percam do seu valor curativo, devem ser colhidas quando não estão molhadas de orvalho.
Secam-se à sombra, porque os fortes raios solares tiram das plantas, depois de arrancadas, uma parte das substâncias curativas, que se evaporam quando expostas ao scí.
As raízes devem ser bem lavadas e picadas em pedacinhos, antes de serem postas a secar.
Quando já secas as ervas, à sombra, como dissemos, examinam-se e separam-se as partes estragadas.
Conserva-se somente o que é bom.
As folhas, flores, talos e raízes picados guardam-se então em caixas, em íugar seco.
De vez em quando é bom tornar a examiná-las, a ver se estão apanhando umidade, caso em que é necessário secá-las de novo.
As que cheiram a mofo já não servem para fins curativos.
Deve-se rotular as caixas cuidadosamente, indicando em cada caso a espécie de erva contida, para evitar confusão.
Deste modo cada qual pode ter, em casa sua própria farmácia herbácea.