domingo, 28 de dezembro de 2014

A Aplicação Das Plantas na Medicina Doméstica

A Aplicação Das Plantas na Medicina Doméstica

A APLICAÇÃO DAS PLANTAS NA MEDICINA DOMÉSTICA

Os antigos egípcios, que se desenvolveram na arte de embalsamar os cadáveres para guardá-los da deterioração, experimentaram muitas plantas, cujo poder curativo descobriram ou confirmaram.
Nascia, assim, a fitoterapia.
Naqueles velhos tempos, as plantas eram muitas vezes escolhidas por seu cheiro, pois que se cria que certos aromas afugentavam os espíritos das enfermidades.
Essa crença continuou até à Idade Média, quando os médicos usavam, no nariz, um aparelho para perfumar o ar que respiravam.
Os egípcios, que então estavam relativamente adiantados também na arte de curar, usavam, além das plantas aromáticas, muitas outras, cujos efeitos bem conheciam, como seja a papoula (sonífera) a cila (cardíaca), a babosa e o óleo de rícino (catárticos), etc. O papiro descoberto por Ebers, em 1873, está repleto de receitas médicas em que entravam plantas em mistura com outras substâncias.
Em medicina, os velhos babilônios eram tão adiantados como os egípcios.
No código de Hamurabi, que viveu mais ou menos no tempo do patriarca Abraão, encontra-se uma importante regulamentação sobre o exercício da medicina e da prescrição de remédios. A lei previa rigorosa punição para quem exercesse impropriamente a profissão médica.
Havia até pena de morte para o médico que cometesse um erro grave ou não tratasse devidamente alguma pessoa de destaque na sociedade.
Como no Egito, também na Babilônia a medicina combinava o poder curativo (ou supostamente curativo) de certas substâncias com
passes de magia.
Dos espíritos invocados, um tinha, por exemplo, a missão de expulsar, ou ajudar a expulsar, o "verme que causava dor de dente".
Os assírios, que também eram adiantados em medicina, incluíam, no seu receituário, nada menos de 250 plantas terapêuticas, entre as quais o açafrão, a assa-fétida, o cardamomo, a papoula, o tremoço, etc.
Hipócrates (460-361 a.C.), da Grécia, que é considerado o pai da medicina, empregava centenas de drogas de origem vegetal.
Teofrasto (372-285 a. C.), em sua história das plantas, catalogou nada menos de 500 espécimens vegetais.
Crateus, que viveu no século I antes de Cristo, publicou a primeira obra de que se tem conhecimento na história o Rhizotomi-kon sobre plantas medicinais, com ilustrações.
Dioscórides, o fundador da "matéria médica", no século I da era cristã, publicou um livro em que fez uma lista de 600 plantas medicinais.
Plínio, o Velho, que também viveu no século I da nossa era, e cuja enciclopédia constava de 37 volumes, catalogou igualmente as espécies vegetais úteis à medicina.
Foi talvez em base da teoria Plínio segundo a qual havia para cada enfermidade uma planta específica que se desenvolveu a doutrina dos signos, cujos paladinos afirmavam que cada planta trazia em si mesma o sinal de sua utilidade na medicina.
Tratava-se apenas de saber interpretar corretamente os indícios existentes.
Da ciência fitoterápica dos gregos, romanos e outros povos, tomaram conhecimento os árabes.
Abd-Allah Ibn Al-Baitar, que viveu no século XIII, e que foi o maior especialista árabe no campo da botânica aplicada à medicina, viajou por muitos países em busca de dados que necessitava para seu livro.
Produziu uma obra muito valiosa, em que descreveu mais de 800 plantas.
A Botânica sempre andou de mãos dadas com a Medicina, numa união indissolúvel, e nunca poderíamos pensar em divorciar uma da outra.
Em todo o mundo se conhecem hoje inúmeros remédios vegetais de incalculável valor para a farmacopéia moderna.
Foram recentemente publicados diversos trabalhos que insistem numa investigação mais profunda das propriedades medicinais das
plantas, e o que é especialmente importante para nós é que a Flora Brasileira é focalizada nos estudos de âmbito internacional no terreno da fitoterapia.
A própria UNESCO tem estimujado programas mundiais de pesquisa nesse campo.
No que diz respeito, por exemplo, aos estudos sobre a terapêutica do câncer, lemos no "Estado" de 2/4/1967 que "mais de 1500 extratos de plantas foram estudados pelo Serviço Nacional Central de Quimioterapia do Câncer dos Estados Unidos", e que, até agora, "já se conhecem cerca de 750 espécies de plantas que apresentam atividades sobre o câncer experimental".
Fazemos votos para que, um dia, a rica flora nacional seja aproveitada, muito mais do que está sendo, para abençoar a humanidade.
O que os pais de família e as donas de casa devem saber
A terapêutica vegetal tem acusado crescente sucesso, pelo que não poucos médicos, desiludidos com a medicina oficial, alópata, usam as plantas com grande proveito na cura das moléstias.
As plantas, exceto as venenosas, só podem fazer bem.
Nutrem o corpo, purificam o sangue e preparam o organismo para resistir contra a doença.
Por isso, toda pessoa, especialmente os pais de família e as donas de casa, deviam entender do preparo e aplicação de remédios caseiros da rica e variada flora medicinal brasileira.
Para que as plantas medicinais nada percam do seu valor curativo, devem ser colhidas quando não estão molhadas de orvalho.
Secam-se à sombra, porque os fortes raios solares tiram das plantas, depois de arrancadas, uma parte das substâncias curativas, que se evaporam quando expostas ao scí.
As raízes devem ser bem lavadas e picadas em pedacinhos, antes de serem postas a secar.
Quando já secas as ervas, à sombra, como dissemos, examinam-se e separam-se as partes estragadas.
Conserva-se somente o que é bom.
As folhas, flores, talos e raízes picados guardam-se então em caixas, em íugar seco.
De vez em quando é bom tornar a examiná-las, a ver se estão apanhando umidade, caso em que é necessário secá-las de novo.
As que cheiram a mofo já não servem para fins curativos.
Deve-se rotular as caixas cuidadosamente, indicando em cada caso a espécie de erva contida, para evitar confusão.
Deste modo cada qual pode ter, em casa sua própria farmácia herbácea.


Nenhum comentário:

Postar um comentário